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Quando a multidão é paga

Perfis que parecem gente comum, falando a mesma coisa na mesma hora. Como campanhas fabricam a sensação de consenso e por que ela funciona.

Por Victor Ferreira Toledo

1–2 minutos
Capa do dossiê nº 007: Astroturfing

Você abre uma rede social e vê dezenas de pessoas defendendo a mesma ideia. A conclusão parece óbvia: se tanta gente pensa assim, deve haver algo ali. Esse atalho mental se chama prova social, e é exatamente ele que o astroturfing explora.

O nome vem de uma marca de grama sintética. A ideia é simular um movimento de base, que nasce do chão, quando na verdade ele foi plantado. Contas criadas em lote, roteiros de postagem, horários sincronizados e hashtags combinadas fazem uma opinião minoritária parecer majoritária.

O objetivo não é convencer você. É fazer você achar que todo mundo já foi convencido.

Os sinais são mensuráveis. Contas novas com poucos seguidores, frases idênticas com pequenas variações, picos de atividade em janelas curtas e ausência de conversa real entre os perfis. Plataformas e pesquisadores usam esses padrões para derrubar redes coordenadas.

Na próxima vez que um assunto explodir do nada, vale olhar menos para o volume e mais para quem está falando. Volume é fácil de comprar. Diversidade real de vozes é cara de fingir.

Ficha do dossiê nº 007

Técnica Astroturfing

Quem aplica Campanhas e agências de reputação

Alvo Eleitores indecisos

Fontes consultadas 14

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